Inteligência Artificial: Os 10 insights sobre onde nós estamos e para onde vamos

Ainda não vivemos a era das máquinas superinteligentes que habitam o imaginário popular, mas estamos caminhando cada vez mais rapidamente para chegarmos lá. E a grande questão que não quer calar e permeia essa jornada é: para onde vamos?

O que não falta na mídia são tanto as visões utópicas (como o Homem Bicentenário ou The Jetsons) quanto as distópicas (como o Exterminador do Futuro ou Black Mirror) sobre o nosso futuro com as máquinas. As discussões tornam-se cada vez mais acaloradas e passam a ocupar todo tipo de ambiente: universidades, mídia, mercado, negócios, invadindo também as conversas de bares e rodinhas de amigos.

Não é à toa que vemos esse aumento repentino e gigantesco de interesse ao redor de tudo aquilo que se refere a Inteligência Artificial (ou AI, devido às iniciais de Artificial Intelligence, em inglês) – apesar de habitar o imaginário da humanidade desde a antiguidade e de ser reconhecida oficialmente como disciplina desde a década de 50, somente nos últimos anos, as tecnologias computacionais alcançaram um estágio de evolução suficientemente avançado para dar vazão a esse tipo de processamento.

As aplicações práticas de AI têm se disseminado rapidamente e virtualmente em todas as áreas do conhecimento: medicina, agronegócio, finanças, educação, marketing, segurança, etc. De algoritmos de linguagem natural (que viabilizam os chatbots) a sistemas de visão computacional e análise preditiva, as APIs inteligentes passam a ser disponíveis, escaláveis e acessíveis para qualquer tipo de negócio, ampliando ainda mais as suas possibilidades de uso.

Dominar o desenvolvimento e uso de AI, tem ser tornado cada vez mais fundamental e estrategicamente importante, pois significa melhoria de produtividade e vantagem competitiva. Por isso, estamos vivendo uma espécie de “corrida do ouro” em torno da AI – países e empresas estão investindo cada vez mais para liderar a área e se tornar mais inteligentes. O IDC (set/2017) prevê que o gasto mundial em sistemas cognitivos e AI suba de U$ 7.5 bi em 2016 para U$ 57.6 bi em 2021. Hoje, os Estados Unidos é líder mundial em AI, mas a China criou um plano com investimento de meio bilhão de dólares com meta de assumir a liderança até 2030, em três etapas estratégicas: 1) 2020: estar no nível dos melhores do mundo; 2) 2025: AI como driver principal para a indústria chinesa; 3) 2030: liderar o topo das tecnologias de AI.

E a largada foi dada para países, empresas e pessoas!

O relatório AI Index da Stanford University (focado em rastrear as atividades e progressos nas iniciativas de AI) mapeia em dados esse movimento crescente de tudo o que se refere a AI:

14x mais startups ativas de AI desde 2000;

  • 6x mais investimentos de VC em startups de AI desde 2000;
  • 5x mais vagas de trabalho requerendo skills de AI;
  • as 3 habilidades mais demandadas no Monster.com (polular site de empregos nos USA) são Machine Learning, Deep Learning e NLP (Natural Language Processing);

Isso torna-se bastante evidente também nas palestras e discussões apresentadas nos eventos de ponta sobre AI, como é o caso do EmTech Digital da MIT Tech Review, um dos mais importantes do mundo quando o assunto são tecnologias emergentes. Tive o prazer de participar novamente desse evento nesse ano, reforçando, complementando e ampliando as minhas reflexões sobre AI, e compartilho, a seguir, alguns desses insights:

Era da incerteza e imprevisibilidade — estive nesse mesmo evento há 3 anos, e é interessante observar que, apesar de AI dominar a cena hoje, em 2015 não era assunto e não fazia parte das tecnologias emergentes discutidas então. Isso mostra a complexidade dos nossos tempos, a incerteza e imprevisibilidade: no cenário acelerado em que nos encontramos, é impossível prever o futuro, até mesmo para a MIT Tech Review.

  1. AI é “A” tecnologia emergente – enquanto no passado esse evento tratava de inúmeras tecnologias que emergiam como tendências, como vídeo, RA e RV, desde 2017 ele tem focado quase que totalmente em AI. As demais tecnologias apresentadas gravitam em torno de AI: robótica, IoT, etc.

  2. Ciências da Computação vs Ciências Humanas – uma ideia comum, mas equivocada, é que AI é tecnologia e, portanto, refere-se apenas às ciências da computação. Na realidade, o desenvolvimento estratégico da área envolve pensamento crítico, linguagem, negociação, ética e inúmeras outras áreas de humanidades – ou seja, ciências humanas. Assim, o diálogo entre os mais diversos campos do saber é essencial para o nosso futuro. Uma frase que resume de forma brilhante essa questão é:

     “Descobrir COMO otimizar é um problema das Ciências da Computação.
      Descobrir O QUE otimizar não é.”
      – Nate Silver

AI hoje: muita inteligência, pouca autonomia – frequentemente vemos acontecer a confusão entre os termos ‘inteligente’ e ‘autônomo’. No entanto, saber a diferença entre eles é essencial para entender onde estamos, pois a AI hoje tem alta inteligência, mas baixa autonomia. O CEO do Allen Institute for AI, Oren Etzioni, traz um exemplo extremamente didático que mostra isso: um adolescente que se embebeda insanamente com amigos possui alta AUTONOMIA, mas baixa inteligência; um sistema como o AlphaGo (que vence o melhor jogador humano de GO tem alta INTELIGÊNCIA, mas baixa autonomia (pois não consegue fazer nada mais além de jogar GO).

  • Mundo sem leis – vivemos hoje, com a AI, o mesmo cenário que a sociedade enfrentou com o surgimento dos carros no início do século passado: as pessoas simplesmente podiam dirigir sem possuir habilitação, não existiam semáforos, sinais de trânsito, cintos de segurança, leis, etc. Muitos acidentes e mortes aconteceram antes que surgisse e se consolidasse uma regulamentação. As discussões atuais em torno de inteligência artificial buscam encontrar os melhores caminhos para regular o seu uso. No entanto, como AI é uma tecnologia genérica, que pode ser aplicada em qualquer área, a regulamentação precisa ser criada por campo específico de aplicação: carros, brinquedos, robôs, etc. para ser eficiente.

  • Dados são o combustível para AI – o cérebro humano aprende com dados: sejam dados existentes (provenientes das experiências de outras pessoas) ou dados que geramos com nossas experiências (provenientes de tentativa e erro). Assim, o primeiro passo para ter inteligência, é ter dados. AI sem dados é como um cérebro vazio, sem memória – não tem o que processar. Ambientes ricos em dados são altamente propícios para a aplicação de AI.

  • Inteligência Humana vs Inteligência Artificial – Brenden Lake, professor assistente da NYU, apresentou alguns dados interessantes comparando o estado atual da AI e a inteligência humana, auxiliando a compreensão da evolução da tecnologia:
  • Pessoas aprendem com menos dados que os melhores sistemas de AI;
  • Humanos constroem modelos mais ricos e flexíveis do mundo, enquanto a AI atual é movida por reconhecimento de padrões;
  • Ingredientes cognitivos essenciais ainda estão ausentes ou são subutilizados na AI atual.

  • PERIGO: a automação da desigualdade e do preconceito – mesmo que não percebamos, AI está começando a tomar decisões em todos os lugares. Sistemas como Hirevue Video Intelligence, que analisa o vídeo de um candidato a emprego para recomendar a contratação ou não, começam a ser usados cada vez mais sem que saibamos quais critérios são usados para isso. Timnit Gebru, da Microsoft Research, apresentou estudos que mostram que quanto mais escura a cor da pele, mais os algoritmos erram em detectar faces. Assim, existem riscos de enviesamento e preconceito na decisão desses sistemas. Em algumas situações críticas, mesmo que os sistemas tenham taxas de 95% de acerto, os casos que caem nos 5% de erro podem estar sofrendo injustiças gravíssimas, inadmissíveis. Uma coisa é errar na previsão do tempo, outra coisa, muito diferente, é errar em uma decisão de pena de morte, por exemplo. Como os algoritmos de AI aprendem com dados existentes ou com pessoas, eles tomam decisões baseando-se em comportamentos aprendidos do passado ou de culturas – quanto mais preconceitos e desigualdades estiverem contidos nesses dados (mesmo que sejam preconceitos inconscientes), mais eles se tornam automatizados e amplificados. Nesse contexto, precisamos criar especificações de APIs, planilhas de dados e modelos para garantir a diversidade e igualdade de representatividade nos dados usados para AI. A temática “moral e ética de AI” é, na minha opinião, a mais importante para pavimentar o caminho no desenvolvimento tecnológico para garantir uma convivência de sucesso entre humanos e máquinas.

  • Robôs: a habilidade de “pegar” as coisas é a fronteira decisiva – temos visto robôs que falam, correm, saltam, cambalhotam…. e por mais que isso seja impressionante, eles ainda não dominam uma das habilidades essenciais para revolucionar o mundo: pegar as coisas. Parece simples, não? Nós, humanos, fazemos isso com muita facilidade – olhamos para algo e já calculamos suas características de matéria (massa, textura, etc) e estruturais para pegarmos o objeto da melhor forma possível. Para os robôs, isso ainda não é tão fácil, e aprender a pegar algo é o estado da arte na área. O grande desafio para os robôs pegarem coisas (grasp) envolve [física + percepção + controle], e assim que eles dominarem essa habilidade, poderemos contar com robôs para separação de lixo (e de qualquer tipo de coisa), reabastecimento de prateleiras nos supermercados, auxílio nos afazeres domésticos, etc – revolucionando a indústria, varejo e lares.

  • Robôs: os imigrantes do futuro – uma das questões mais debatidas em qualquer evento atual de tecnologia é o futuro do trabalho, assunto que discuto bastante no meu livro “Você, Eu e os Robôs” – a minha linha de pensamento está em sintonia total com o que foi apresentado no #EmTechDigital desse ano. A “Automation Anxiety” existe na ficção desde a antiguidade e, conforme os robôs tornam-se realidade, ela aumenta. No entanto, uma analogia bastante apropriada criada por Oliver Morton (The Economist) ilumina o assunto por outro ângulo – desde os tempos mais remotos as pessoas têm medo de perder os seus empregos para os imigrantes. Em toda a história da humanidade, os imigrantes são comumente vistos com desconfiança devido à essa ansiedade. Morton compara os robôs com os imigrantes, só que vindos do futuro. E da mesma forma que as sociedades aprendem a absorver as características dos imigrantes, complementando as suas, tenderemos a fazer o mesmo com os robôs que passam a coexistir cada vez mais conosco.

Artigo escrito  por  Martha Gabriel > Blog > Inteligência Artificial: 10 insights sobre onde estamos e para onde vamos.

Este post tem 37 comentários

  1. porno

    Fastidious answer back in return of this issue with real arguments and explaining all about that. Wilhelmina Kinsley Lose

  2. bahis

    Here are some hyperlinks to sites that we link to because we assume they may be worth visiting. Nat Arlan Barton

  3. netflix

    Perfectly written content, Really enjoyed looking through. Page Padraic Reine

  4. dublaj

    Some genuinely fantastic posts on this web site , thankyou for contribution. Pammi Burl Ahearn

  5. netflix

    There is perceptibly a lot to realize about this. I feel you made some good points in features also. Alene Douglass Peck

  6. altyazili

    After all, we should remember compellingly reintermediate mission-critical potentialities whereas cross functional scenarios. Phosfluorescently re-engineer distributed processes without standardized supply chains. Quickly initiate efficient initiatives without wireless web services. Interactively underwhelm turnkey initiatives before high-payoff relationships. Holisticly restore superior interfaces before flexible technology. Eleanor Archie Hoye

  7. yabanci

    Having read this I thought it was very enlightening. I appreciate you spending some time and effort to put this article together. I once again find myself spending a lot of time both reading and leaving comments. But so what, it was still worthwhile! Herta Ange Hogen

  8. movies

    Pretty! This has been an incredibly wonderful article. Thank you for providing this information. Tatum Bald Senn

  9. Oh my goodness! an outstanding short article dude. Thank you Nonetheless I am experiencing issue with ur rss. Don?t know why Unable to sign up for it. Is there any individual getting identical rss trouble? Any person who knows kindly react. Thnkx Kissiah Ennis Effie

  10. access

    Oh my goodness! an amazing post man. Thank you Nevertheless I am experiencing problem with ur rss. Don?t know why Unable to subscribe to it. Is there anyone getting the same rss issue? Anyone who recognizes kindly react. Thnkx Cicily Peterus Maurreen

  11. 720p

    Awesome post,I will invest more time exploring this subject. Christin Van Barger

  12. filmkovasi

    Hi friends, nice piece of writing and nice arguments commented at this place, I am genuinely enjoying by these. Trix Carlie Etan

  13. donmadan

    Those are certainly healthy lifestyle habits, very good for health in general. Only certain types of exercises are well proven to reduce fall risk. Joanna Corbin Larrisa

  14. yabanci

    Thanks a lot for the post. Really thank you! Much obliged. Aurlie Kristofor Reinertson

  15. movie online

    I enjoy reading and I think this website got some genuinely useful stuff on it! Doro Donnie Felske

  16. Good post. I learn something new and challenging on sites I stumbleupon every day. It will always be useful to read through articles from other authors and use something from other sites. Deana Traver French

  17. turkce

    Every when inside a though we opt for blogs that we read. Listed beneath would be the latest web pages that we choose Daffy Chan Fritze

  18. yabanci

    Cras mattis ultrices massa sed ultrices. Maecenas vulputate metus vitae lorem pretium luctus. Alaine Sidnee Tarah

  19. bluray

    When coaches feel like you are difficult to deal with they will find every excuse they can to keep you sitting on the bench, so be as pleasant as you can be. Amandi Dylan Evangelina

  20. online

    Lists can be found on these websites that detail the cars covered under Group 1 insurance. Andra Bronny Goodman

  21. yabanci

    I like reading a post that will make people think. Also, thanks for allowing me to comment! Amara Paolo Darooge

  22. torrent

    Not only well written, but so deep-down true. Gold star, Dale. Gianna Jim Torre

  23. altyazili

    There is noticeably a package to know about this. I presume you made sure nice points in functions also. Hyacinth Glendon Ebony Gaylene Adam Renata

  24. bluray

    I read a great article with pleasure, I hope it will continue Cris Braden Lauryn

  25. amateur

    Working from home meant we could vary snack and coffee breaks, change our desks or view Annette Philip Brouwer

  26. dublaj

    Yes, the clamping kits are expensive and not very versatile! Home made is the way to go for this I think as they are simple parts and easily made to your own spec. Rodie Giavani Bentlee

  27. hindi movie

    I blog frequently and I really appreciate your information. Your article has truly peaked my interest. I will take a note of your blog and keep checking for new information about once per week. I subscribed to your Feed as well. Georgena Courtnay Frazer

  28. erotik

    I wish to get across my gratitude for your kindness giving support to individuals that have the need for help with that situation. Your personal commitment to getting the message throughout had become definitely significant and has always encouraged many people much like me to realize their endeavors. Your amazing valuable useful information denotes this much to me and extremely more to my mates. Best wishes; from each one of us. Nancy Boris Malek

  29. indirmeden

    Keep up the fantastic work, I read few content on this internet site and I conceive that your site is very interesting and contains bands of great information. Torey Torr Netti

  30. turkce

    You have to have a silk touch axe or the bookshelf breaks apart into a few books. Hally Boycey Neuberger

  31. yabanci

    Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Nam vitae neqnsectetur adipiscing elit. Nam viae neqnsectetur adipiscing elit. Nam vitae neque vitae sapien malesuada aliquet. Salome Oswald Dahlia

  32. erotik

    Having gotten my head into this one, it was hard to give it shape and bring it to some kind of conclusion. Deanne Arney Donavon

  33. erotik

    Loving the Highland distillery 10yr old. Gorgeous stuff. Well done guys. Emili Abrahan Encratia

  34. yabanci

    It was the only way she could secretly search for her secretly alive father without raising suspicion. Koral Boote Aiello

  35. erotik

    Hi there! This is my 1st comment here so I just wanted to give a quick shout out and say I really enjoy reading through your posts. Can you suggest any other blogs/websites/forums that deal with the same topics? Thanks for your time! Tammie Rossy Bride

  36. erotik

    I stay motivated through prayer and seeking the Lord Maribeth Josh Sheffie

  37. erotik

    Everyone loves it when folks come together and share thoughts. Great website, keep it up! Mireille Heinrick Eupheemia

Deixe um comentário

Inteligência Artificial: Os 10 insights sobre onde nós estamos e para onde vamos